segunda-feira, 22 de outubro de 2012

EDIR PINA DE BARROS (1948 - )

Edir Pina de Barros nasceu em Ponta-Porã, hoje Mato Grosso do Sul. É filha do poeta Antonio Lycério Pompeo de Barros e Célia de Pina Pompeo de Barros, ambos nascidos em Cuiabá, mato Grosso. Residiu em várias cidades do interior dos estados de São Paulo e Mato Grosso  e, em  meados de 1964, chegou à Brasília, onde acabou a primeiro grau e cursou o segundo grau no Centro Integrado de Ensino Médio (CIEM), da Universidade de Brasília. Nesta mesma instituição bacharelou-se em Ciências Sociais e obteve o grau de Mestre em Antropologia Social. Após residir entre os povos indígenas Kaiowá, Nãndeva, Terena (MS) e Bakairi (MT), ingressou como docente na Universidade Federal de Mato Grosso. Cursou o doutorado e o pós-doutorado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Ministrou aulas na graduação e pós-graduação, orientando dissertações e teses nas áreas de Educação Pública e Saúde Coletiva. Foi membro de bancas avaliadoras de dissertações e teses em várias universidades brasileiras. Desde 1986 atua como perita de juízes em conflitos fundiários que envolvem terras indígenas e quilombolas, ampliando assim seus estudos e pesquisas a outros povos indígenas e comunidades rurais negras. Organizou livros, é autora de vários capítulos de livros e artigos em revistas nacionais e estrangeiras (Espanha, Argentina, Portugal, Polônia). Seu livro, Os Filhos do Sol: História e Cosmologia na Organização Social de um Povo Karib foi indicado ao Prêmio Jabuti 2004 (melhor livro de Ciências Sociais e melhor capa) pela Editora da Universidade de São Paulo, que o publicou no anterior.  É autora de mais três livros: Dois Mundos em Confronto,Vulnerabilidade Social, AIDS e Políticas Públicas (Saúde Indígena) e Karajá (Antropologia e Direito). Em 2001 foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso a título de “Reconhecimento pela dedicação à luta em defesa dos povos indígenas brasileiros”. Em 2010 voltou a morar em Brasília, onde reside. Dedica-se, sobretudo, à escrita de sonetos, mas escreve também cordéis, indrisos, rondeis, inclusive infantis. Algumas de suas poesias estão publicadas em antologias. Em 2011 publicou, em parceria com seu pai, Antonio Lycério Pompeo de Barros, o livro Luzes e Sombras (Poesias). Dois livros de sonetos estão em processo de organização: Seivas d’alma e Poesia das Águas.







ALTAMISA


Silêncio! Escuta a brisa que murmura,
e sobre as folhas rola e se desliza,
a balançar as flores d’altamisa,
tão perfumadas, prenhes de candura.

Tu podes escutar a doce brisa?
Ouvir a sua voz na noite escura?
Nas flores d’altamisa ela perdura
e faz juras d’amor, à sua guisa!

E com seu jeito firme, mas galante,
do modo que s’espera d’um amante,
nos braços d’altamisa caí, s’enlaça.

Ao alisar-lhe com seu jeito arfante,
nela roçando quando lento passa,
quanta mesura! Quanto garbo e graça!


***



DEVANEIOS

Bem que podias vir adormecer na rede
ouvindo o sabiá que canta na mangueira,
e tantos bem-te-vis que ciscam pela beira
e vem no pote meu matar a sua sede.

Na rede adormecer sentindo o doce cheiro
das flores a se abrir, soltando o seu perfume,
enquanto lá no céu a lua vem, relume,
e o vento a farfalhar nas folhas do coqueiro.

Bem que podias, sim, amanhecer no rancho
no qual sozinha estou a te esperar querido,
ouvindo, do regato, o seu doce queixume.

Sem ti eu sofro só, qual passarinho implume
sem ninho, sem lugar, sentindo-se perdido
diante da extensão do céu escuro e ancho.


***



BOI DE CANGA

O boi de canga que, cortando areia,
arrasta, sem cessar, a própria vida,
cumprindo o seu destino e a sua lida
gemendo pela estrada, que volteia;

o sangue vai fervendo em sua veia,
a sua dor profunda é desvalida,
roçando vai, a canga, na ferida,
no caminho, que o rio, além, ladeia.

Escravo, sem saída, sofre e chora,
ferindo, a dura canga,  o  seu pescoço
e nada vendo além das vis viseiras.

E na subida, a dor seu ser devora,
mas gemendo, fazendo grande esforço,
vai vencendo as mais íngremes ladeiras




6 comentários:

  1. Lindo lugar para se estar. Abração poetisa!
    Eliane Triska

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    1. Grata, minha cara amiga, pelo carinho constante! Um beijo

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  2. Sempre me encanto com teus escritos, você é fantástica!!!!

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  3. Sem dúvida, uma das mais competentes sonetistas da atualidade brasileira.
    Veio para ficar!
    Meu abraço.
    Jorge

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  4. Maravilhas de sonetos. Amo sua poesia, Edir Pina de Barros. Parabéns pelo blog. Fiquei encantada com seu currículo, amiga!

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